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Vida acelerada

Você lembra o que comeu hoje no almoço? E lembra o que fez no Carnaval do ano passado? Você acordou cedo, vestiu-se correndo, engoliu um café e saiu apressado para não perder a hora do trabalho. Sentou-se na sua mesa, respondeu seus e-mails, saiu para almoçar com um colega e nem pensou muito no que colocou no seu prato. Mesmo controlando sua alimentação, você colocou os alimentos no automático, comeu enquanto conversa sobre o trabalho ou olhando suas redes sociais no celular.

Será que viramos esses seres automáticos e funcionais? Que apenas cumprem suas tarefas pensando em outras sem concentração no que está acontecendo no momento? É como se hoje em dia tivéssemos dois tipos de pessoas: aquelas automáticas e aquelas extremamente específicas. Cadê aquele meio termo que antes a gente gostava de se encaixar? Aquele padrão de personalidade que nos orgulhamos mais do que não lembrar do que almoçamos ontem? Um padrão mediano, mas ainda assim bem mais aceitável.

Não lembramos mais das nossas senhas, afinal nosso smartphone armazena todas essas funções, de e-mail, aplicativos de banco, aplicativos de entretenimento e quantas senhas mais nós precisarmos. As empresas se preocupam que seus funcionários não querem mais seguir carreira e contar a história corporativa que tanto se orgulham. Você sabia que temos um nome para isso?

Chamamos esse fato de amnésia digital. Colocamos toda a nossa confiança na memória digital dos smartphones, da nuvem, e de outras maneiras modernas de armazenar dados e esquecemos totalmente se colocar nossa própria memória em exercício, deixando cada vez mais fraca e desativada. Ainda temos o advento da amnésia corporativa, no qual as pessoas lideradas pelos chamados Millennials, a geração que tem entre 20 e 30 anos e quer mais é ganhar o mundo, não ter moradia fixa, viajar e conhecer países e novas culturas e aprender a fazer tudo, sem ficar muitos anos em uma empresa.

O assunto entrou em discussão em 2018 quando estava em meio às tendências que regem segmentos como design, moda, gastronomia e principalmente comportamento. O chamado Slow Future, que propôs uma desaceleração total de alguns aspectos importantes da nossa vida, entre eles a alimentação, o vestuário e as atitudes, analisou parâmetros que mudaram totalmente nos últimos anos.

Então vale recordar a você que ainda estando imersos em uma tendência negativa atual, a amnésia digital é causada por nós mesmos. Nós é que causamos essa sensação de estarmos apenas passando os dias e não lembrando o que fizemos ontem. Nós é que deixamos o smartphone armazenar nossa senha do banco e quando precisamos usar o caixa eletrônico ficamos confusos. Quanto menos usamos a nossa memória, que é um dos nossos dispositivos mais incríveis e eficientes, estamos atrofiando diversas memórias importantes da nossa vida. Não é apenas sobre a senha do banco. É sobre os bons momentos que vivemos, é sobre olhar para um amigo e prestar atenção no que ele fala sem ficar checando as notificações do celular a todo momento. É prestar atenção a sua vida, pois ela está passando e não tem modo segurança ou um replay. Ela é aqui e agora!


Mariana Goulart


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