Um vinho único à beira do Duero
créditos: Blog Vinho Tinto

Um vinho único à beira do Duero

O vinho do Porto é um dos grandes clássicos da Europa. Sua história é vasta e fascinante. De fato, este vinho e o de xerez (sobre o qual já falamos por aqui) são os únicos que seguem processos de elaboração distintos. Ou seja, não seguem os critérios de fermentação do restante dos vinhos do mundo.

O cultivo de videiras em Portugal vem da antiguidade. Os relatos de Estrabón, o grande geógrafo da antiga Grécia, revelam que os habitantes do Noroeste da Península Ibérica consumiam vinho há 2 mil anos. Os romanos, que chegaram a Portugal no século II a.C. e permaneceram por ali por mais de 500 anos cultivaram as videiras e produziram vinho nas margens do rio Duero, onde atualmente é produzido o vinho do Porto. Durante o período de prosperidade que seguiu a criação do reino de Portugal em 1143, o vinho se transformaria em um importante produto de exportação.

As primeiras remessas de vinho com o nome ‘vinho do Porto’ foram registradas em 1678. Apesar de ser produzido no interior de Portugal, no Alto ‘Douro’, o vinho leva o nome da cidade de Porto, localizada na costa do Atlântico e de onde era tradicionalmente exportado.

Porém, o vinho do Porto tal como o conhecemos hoje em dia surgiu muito mais tarde. Os primeiros vinhos conhecidos com o nome ‘vinho do Porto’ foram exportados somente recentemente, na segunda metade do século XVII.

A ideia de acrescentar aguardente ao vinho surgiu no século XVII, quando os comerciantes ingleses começaram a se interessar pelos vinhos portugueses. Esses vinhos não suportavam longas viagens nos barcos de transporte, por isso se pensou em fortalecê-los com pinga para que não estragassem.

Muitos dos produtores mais antigos e famosos, como Taylor’s ou Croft, são de origem inglesa ou escocesa, uma vez que, durante a maior parte da história do vinho do Porto, o Reino Unido foi seu principal mercado. Atualmente o vinho do Porto é desfrutado no mundo inteiro. Nisso também há conexão com o xerez, uma vez que também foram os britânicos que impulsionaram e instigaram seu desenvolvimento.

Um dos aspectos fascinantes do vinho do Porto é a grande variedade de estilos em que são produzidos, cada um com seus sabores característicos, desde os intensos frutos silvestres de um Reserva ou de um Late Bottled Vintage, passando pelos sabores opulentos e complexos de um Tawny envelhecido em madeira, até a imponência sublime de um Vintage. Mais do que qualquer outro vinho, o vinho do Porto oferece infinitas possibilidades de harmonização com a comida.

 

Variedades de vinhos

O vinho do Porto branco se apresenta em vários estilos, relacionados com períodos de envelhecimento mais ou menos prolongados e diferentes graus de doçura, resultantes da forma de elaboração.

Aos vinhos tradicionais se juntaram os vinhos de aroma floral e complexo com volume alcoólico mínimo de 16,5% (vinho do Porto branco leve seco) capazes de responder à demanda de vinhos com menor teor alcoólico.

Os rosés são vinhos para serem consumidos jovens, com boa exuberância aromática e notas de cereja, framboesa e morango. No paladar são suaves e agradáveis. Devem ser ingeridos gelados ou com gelo, podendo também serem servidos em diversos coquetéis.

Os vinhos do Porto são divididos em duas categorias, de acordo com o tipo de envelhecimento: Ruby e Tawny. Tradicionalmente, o vinho do Porto é servido com queijo no final das refeições, como um vinho de sobremesa ou digestivo, embora alguns estilos, como o vinho do Porto branco, também serem ingeridos como aperitivos.

 

Adegas do Porto

Bem em frente à cidade do Porto, em Vila Nova de Gaia, ficam a maioria das adegas. Ali é possível visitar muitas adegas de vinho do Porto e, em cada uma delas, um guia acompanha os visitantes pelas instalações, explicando todo o processo de elaboração dos vinhos. Ao final da visita, há a tão esperada degustação, com oferecimento de uma taça de vinho branco e uma de vinho tinto.

Das adegas presentes, recomendamos as seguintes:

- Adega Ramos Pinto, fundada em 1880 por Adriano Ramos Pinto, uma das mais famosas da região.

- Adega Sandeman, famosa principalmente por seu misterioso logotipo. Sandeman é uma das marcas de vinhos do Porto mais conhecidas mundialmente.

- Adega Ferreira, definitivamente uma das mais especiais da região, embora não tão famosa quanto as outras. Está construída sobre um antigo convento e a visita vale muito a pena.

Resumidamente, uma viagem no tempo e por diversos sabores. E, como o vinho deve ser degustado com todos os sentidos, nada melhor do que uma taça durante o entardecer, em frente ao rio Duero...

 

Rafael Paniagua



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