Nova Zelândia: nas antípodas do vinho
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Nova Zelândia: nas antípodas do vinho

Quando pensamos em vinho e o fazemos a partir de uma visão geográfica tradicional, sempre pensamos nas vinícolas da Europa (Espanha, França, Itália, Portugal) e da América (Califórnia, Chile e Argentina). Há algumas décadas foram incluídas a este mapa enólogo vinhas do Sul da África e também australianas. Talvez a maior surpresa, agradável e sugestiva, venha das antípodas – Nova Zelândia.

Conhecemos um pouco mais de sua orografia e paisagens por causa dos filmes da série O Senhor dos Anéis, além de seu vestígio ancestral e aborígene. Todos conhecem seu potencial no rúgbi (os famosos All Blacks), porém agora a Nova Zelândia se posiciona no mundo com um produto diferenciado, que promete agradar até mesmo os paladares mais aventureiros, aqueles que buscam novos sabores e emoções sensoriais.

Será cada vez mais frequente encontrar vinhos de lá, que tem aumentado a exportação de maneira espetacular nos últimos cinco anos, em lojas especializadas e até mesmo em supermercados acostumados e comercializar vinhos de boa qualidade.

A indústria de vinhos da Nova Zelândia vem vivendo uma autêntica revolução. Em sua superfície de vinhedos o número de vinícolas duplicou, e o volume de exportação cresceu cinco vezes. Atualmente, quando o assunto são vinhos, a região goza de uma reputação mundial merecida que não tem relação nem com sua superfície de vinhedos (apenas 22 mil hectares) nem com a antiguidade de suas vinícolas.

A Nova Zelândia é dividida em duas principais ilhas: a do Norte e a do Sul. Fica próxima ao Polo Sul e tem clima frio e chuvoso. Com o termo “cool climate viticulture” (vitivinicultura de clima fresco), os vinhos neozelandeses apresentam uma personalidade fácil de ser lembrada, o que tem contribuído para a sua popularização.

Com relação à qualidade, os vinhos da região são referência a nível mundial. São vivos e frutados, e se caracterizam por sua acidez, concentração aromática e elegância. Merecem destaque os vinhos brancos feitos com uvas sauvignon ou chardonnay, e os tintos elaborados com cabernet sauvignon com toque de merlot, ou seus excelentes pinot noir.

 

Regiões vinícolas importantes
- A ilha do Norte

Seu clima é mais quente do que a região do Sul, o que a torna mais apta para o cultivo de certas variedades tintas, como a merlot e a cabernet sauvignon. Aqui estão duas das principais regiões vinícolas do país em termos produtivos: Hawke’s Bay e Gisborne.

Auckland fica ao Noroeste da ilha e é a região de vinhos mais antiga. É, principalmente, uma zona produtora de vinhos tintos, sendo o cabernet sauvignon sua principal variedade.

Gisborne, ao Sudeste da baía de Plenty, produz cerca de 10% da uva neozelandesa. Possui solos aluviais de alto desempenho e é basicamente uma região produtora de vinhos brancos.

Hawke’s Bay, na costa Leste da ilha do Norte, produz mais de 20% da uva da região. Tem sido uma região pioneira na produção de vinhos do país e, sendo a região mais ensolarada, é bastante propícia para o cultivo de videiras. É considerada a melhor zona vinícola para o cultivo das cepas nobres de Bordeaux.

Wairarapa, ao Sul da ilha, possui vinhas pouco estendidas, porém seus tintos de pinot noir têm fama internacional. Lá também se elaboram vinhos brancos de chardonnay, sauvignon e gewürztraminer.

 

- A ilha do Sul
É a mais importante no aspecto vitivinicultor. Conta com mais de 7.500 hectares de sauvignon blanc, sendo esta a cepa que popularizou os vinhos neozelandeses no mundo inteiro. Suas áreas mais importantes são as seguintes:

Nelson, na costa Norte, é uma região vinícola pouco extensa devido ao alto custo de seus terrenos. O cultivo das videiras se remonta aos anos de 1860-1870. As cepas dominantes são as de chardonnay e riesling.

Marlborough, ao Sudeste de Nelson, é a região de vinhos mais extensa e importante da Nova Zelândia, assim como a mais próspera. Abriga cerca de 50% da superfície de vinhedos da região, sendo a maior área produtora. É uma das áreas mais secas e ensolaradas de todo o país, oferecendo condições climáticas adequadas para as variedades brancas: müller-thurgau, sauvignon, chardonnay e riesling. A cabernet sauvignon é a principal cepa tinta.

Canterbury, próxima da cidade de Christchurch, fica ao Leste da ilha. Sua baixa precipitação e longos outonos com dias calorosos e noite frescas são fatores favoráveis para o cultivo das uvas chardonnay e riesling. Além disso, nessa região são produzidos vinhos deliciosos como o pinot noir.

Central Otago, mais ao Sul, é a zona vinícola mais meridional do país e a menos extensa. A estação quente é breve, porém os outonos são secos e ensolarados, com índice de pluviosidade sendo o menor de toda a Nova Zelândia.

 

Algumas recomendações
Os vinhos desta terra distante que podemos encontrar mais facilmente dependem, em sua maioria, de diferentes distribuidores, embora seja provável que nos deparemos com as mais conhecidas, com valores que variam entre 20 e 50 euros, dos anos entre 2012 e 2015. Prevalecem os brancos (chardonnay e sauvignon blanc) e o pinot noir dos seguintes rótulos: Michael Seresin, Cloud Bay, Kim Crawford e Paliser Estate.

E lembre-se, o sabor de uma taça de vinho pode ser comparado a uma viagem que nos leva para longe, até as antípodas...

 

Rafael Paniagua



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