Novas ferramentas, velhos conceitos
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Novas ferramentas, velhos conceitos

Dia desses escutei uma frase que resume bem o momento que estamos passando. A jornalista Miriam Leitão disse na rádio CBN que “o Brasil ainda é um país masculino e de gente branca”. Miriam se referia às eleições para prefeito e vereadores no Brasil, cujo primeiro turno aconteceu no primeiro domingo do mês de outubro. Concordo muito com essa afirmação, revendo não somente os resultados das eleições, mas também a realidade que vivemos atualmente.

As ondas feministas estão cada vez mais fortes, mesmo que muitos de nós não estejamos ligados ao que está acontecendo por aí. Esses dias eu estava em um evento de moda conversando com uma amiga que trabalha comigo e ela me contou que estavam indo para um encontro do movimento feminista de Floripa, que iriam tatuar o símbolo delas naquela tarde.

Juro que fiquei chocada, pois eu nem imaginava que aquela mulher que ama maquiagens e sabe tudo de moda (e senta na minha frente no trabalho) é uma feminista! Fiquei feliz por pensar assim, por não estereotipar as pessoas, por não pensar que uma feminista não pode ser tão feminina! Adorei a ideia de um padrão não padronizado.

Mas voltando à frase da Miriam, esse mês teve o concurso de Miss Brasil e a vencedora foi uma paranaense negra. Uma linda mulher, com cabelão de diva, corpo perfeito e dentes incríveis (padrão miss). Foi outra felicidade ver meu feed das redes sociais babando por uma mulher negra e linda.

Por mais que estejamos longe dos tempos antigos, sabemos que o racismo anda, sim, em meio à atualidade. Vi na home de um site uma notícia que dizia que a Rede Globo estava sendo apontada de racismo porque colocou no ar uma minissérie sobre presidiários e nenhum era negro. E se fossem, vocês imaginem o rolo que seria, o falatório. Ou seja, criticar é a alma do negócio.

Reclamar é uma síndrome desta década e as redes sociais e a velocidade da Internet são as culpadas disso. Qualquer coisa postada por aí vira problema. É a campanha da Vogue da paraolimpíada (que usou a atriz Cleo Pires numa montagem sem braço), é o excesso de elogios para a nova Miss Brasil por finalmente escolherem alguém brasileira na aparência, é a Kim Kardashian que exagerou nas plásticas, atores que defenderam o PT nos últimos acontecimentos... Ninguém pode “pensar alto” antes de pensar bem no que vai escrever.

E qual a relação disso tudo com a citação da Miriam Leitão, então? Acho que, por mais que tenhamos ferramentas, no caso a Internet, para melhorar questões como o feminismo, o racismo, a corrupção, a violência sexual, o caos da saúde, e muitas outras questões, o senso comum sempre acaba se voltando às ideias clássicas, aos padrões antigos. Acabamos rotulando a miss, as feministas, a política na qual os homens devem estar no poder. Não adianta de nada ter nas mãos as ferramentas, mas ter na mente ideias retrógradas...

 

Mariana Goulart



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