Uma Buenos Aires diferente
créditos: Dollar Photo Club

Uma Buenos Aires diferente

‘Mi Buenos Aires querido, cuando te volveré a ver’, cantava Gardel. Uma cidade diferente, com a mistura de cidade e subúrbio, da nostalgia envolta por uma filosofia portenha. Sem dúvida, um dos lugares que, como vilarejo, mais me seduziu. Sempre um retorno pendente, um passeio perdido por suas ruas, uma lembrança escondida em cada esquina.

Como metrópole turística, Buenos Aires chama a atenção por seus lugares místicos e famosos em qualquer guia turístico. A Plaza de Mayo, o cemitério da Recoleta ou, nos últimos tempos, Puerto Madero. Nossa proposta, pelo contrario, é seduzi-lo por outros lugares, não tão conhecidos, porém certamente imperdíveis…

 
Café
Tomar um café se torna uma ação verdadeiramente artística na cidade. Os cafés, lá, são pontos de encontro, sinônimos de bons papos entre amigos, de canções (“Cafetín de Buenos Aires”, de Santos Discépolo). Quando um turista chega à cidade, uma das primeiras coisas que procura fazer é procurar o Tortoni (cafeteria centenária na Avenida de Mayo).

Nossa recomendação, dentre as muitas possíveis, é que você fuja do convencional e procure pelo café Dorrego, na Plaza Dorrego, alma do bairro de San Telmo. Através de suas mesas de mármore é possível contemplar a rotina das pessoas, observando-as pelas janelas. O sabor do café se mistura com as paredes cheias de recordações e com os garçons veteranos que, com tanta dedicação, servem aos clientes nativos e ao estrangeiro perdido por ali.

 
Pizza
Há quem diga que as pizzas argentinas, de massa fina, são as melhores do mundo. Eu não chegaria a tanto, ainda mais depois de provar a pizza de Nápoles à meia-noite. São muitas as pizzarias famosas e, entre elas, uma que se destaca por sua delicadeza e modernidade: La Filo (San Martín, 975). Porém, se desejam saborear o aroma do cotidiano, do nativo que faz uma pausa no trabalho ou daqueles que saem dos teatros na rua Corrientes, nada é melhor do que comer em Las Cuartetas (Corrientes, 838). Sabor tradicional, sem glamour, porém com pizzas que te fazem chorar (de tão boas)!

 
Carne
A carne de Buenos Aires merece tópico especial. Seus cortes, sabores, histórias… Há diversas opções, capazes de seduzir até mesmo os paladares mais exigentes: Don Julio, El Pobre Luis, La Choza, El Establo. Porém indicamos um lugar diferente, com conceito distinto da maioria: La Carranzita, no popular bairro de Palermo (Ángel Carranza, 1859). Este lugar oferece um maravilhoso encontro com os sabores da Patagônia. Recomendamos o cordeiro e, para acompanhar, uma tábua de defumados.
 

Teatro
Buenos Aires talvez seja a capital mundial do teatro – duvido que Londres, Nova Iorque ou Madri tenham uma cartela tão ampla e eclética quanto à da cidade portenha. Para muitos, a visita ao Teatro Colón é obrigatória. Qualquer espetáculo, seja de teatro ou música, nos teatros da Corrientes (como o célebre Gran Rex) não decepcionará. Para os amantes da dramaturgia, recomendo os pequenos teatros no bairro de Palermo. São teatros e anfiteatros onde se pode sentir o sabor do que não é convencional, tendo o ator bem pertinho, com sentimentos que vão de atrevimento a surpresa.

Outro lugar que vale a pena apreciar é Ciudad Konex (Sarmiento, 3131). Lá há varias salas com espetáculos alternativos, onde as propostas mais arriscadas dos atores tomam vida. Também oferece espetáculos musicais e atividades culturais diversas.

 
Futebol
Ah, o futebol. Também uma filosofia, uma paixão que invade o coração dos argentinos. Não por acaso, esta cidade é a metrópole com o maior número de estádios do mundo. Os mais visitados são o La Bombonera (do Boca Juniors), no bairro La Boca; e do River, o Monumental de Nuñez. O primeiro se torna mais interessante, talvez por estar localizado no bairro de La Boca, um lugar que não se pode deixar de visitar. Por outro lado, quer coisa melhor do que visitar outros estádios não tão conhecidos, porém com paixão sem igual? Vá até o Almafitani, conhecido como o ‘el fortín’ (de Vélez) ou ao Diego Armando Maradona (do Argentinos Juniors). Nesses lugares, a paixão pelo esporte é intensa!

 
Vida noturna

O bairro de Puerto Madero é famoso entre os amantes da vida noturna. A região é uma combinação de restaurantes, bares, baladas… tudo o que o uma pessoa noturna precisa para se divertir. Tudo é moderno, bonito. Para aqueles que curtem pular de bar em bar, sugiro o bairro de Palermo, especialmente as proximidades da Plaza Julio Cortázar, e também o bairro de San Telmo – menos sofisticado, menos moderno, porém com a surpresa inesperada que ocorre toda vez que você cruza a porta de qualquer boliche.

 
Feiras
A feira de antiguidades em San Telmo é impressionante – tanto pelo bairro em si, quanto pela vida que pulsa em suas ruas e recantos. Todos os domingos, velharias e tango se juntam para a alegria dos turistas. No entanto, se está em busca de algo mais tradicional e autêntico (no sentido gauchesco da expressão), recomendo visitar a feira de Matadero, também aos domingos. Lá, costumes e nostalgia combinam-se com pratos tradicionais. É ponto de encontro do campo e da cidade, distante do centro turístico, mas os que passam por lá não se arrependem.

 
Tango
Por fim, o tango! O Viejo Almacén (Av. Independencia com a Balcarce) é história vida que, noite após noite, nos envolve. Nas últimas décadas ficou mais famoso e às vezes é difícil conseguir uma reserva caso não avise com um pouco mais de antecedência. A qualidade é inegável, embora tenha perdido um pouco do brilho da boemia de antigamente. Muitos turistas, muitas fotografias…

Para os portenhos que querem distancia dos visitantes, a referencia é outra: La Catedral del Tango (Sarmiento, 4006) – um espaço que nos deixa boquiabertos, especialmente depois de passarmos por sua minúscula entrada, através da qual é possível apreciar o tango tradicional, o dois por quatro, a alma de Almagro. Comidas deliciosas e aulas de tango são oferecidas a todos.

 
Mi Buenos Aires querido, cuando yo te vuelva a ver, no habrá más penas ni olvido… Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver, ciudad porteña de mi único querer, oigo la queja de un bandoneón, dentro del pecho pide rienda el corazón…



Rafael Paniagua



Sobre o Bella Politica de Privacidade Política de Cancelamento Programa afiliados Área do parceiro Publicidade Imprensa Contato RSS