Passeando por Madri
créditos: Dollar Photo Club

Passeando por Madri

São muitas as teorias sobre o nome da capital da Espanha, embora quase ninguém duvide que foram os árabes que lhe derem o nome, e uma das mais prováveis é que ´Magerit´ - como assim foi chamada – fazia menção às águas subterrâneas da cidade.


Clássica, ao contrário da modernista Barcelona, é a menos provinciana de todas as cidades espanholas, e seus habitantes, uma mistura de povos vindos de outros lugares. Talvez por isso, esta seja a população espanhola onde é possível sentir-se o mais anônimo possível.

A proposta da coluna deste mês é misturar o clássico com o diferente, e sugerir passeios que envolvam tanto os pontos turísticos mais conhecidos, quanto uma visão mais pessoal da cidade. É uma seleção pessoal, curta e discutível. Não obstante, um convite àqueles que desejam descobrir os encantos de Madri.


Malasaña
Bairro clássico das noites madrilenhas, especialmente depois da ditadura e no início de ´La Movida´ (movimento cultural liderado por Almodóvar). La Vía Láctea, ícone com mais de quatro décadas de rock & roll, é a insígnia deste enclave, regenerado ano após ano. Uma cerveja – certamente uma das mais saborosas Guiness que já tomei; empanadas em  Mastropiero, um passeio pela rua Pez.

Chueca
Fronteira com Malasaña na rua Fuencarral. Um bairro que se tornou a região GLS da cidade. Com bom gosto e variedade, modernismo e falta de sobriedade. Vale a visita à Casa de Vinos – mais conhecida como El Comunista (na rua Augusto Figueroa), e logo na esquina, Libertad 8, na rua de mesmo nome (letras de música e nostalgia).

Lavapiés
O menos turístico dos bairros, porém o mais multicultural deles. Comidas de todas as partes do mundo, especialmente asiáticas e árabes. Porém mantendo a classe : canapés – e uma dos melhores chopes – em La Mancha en Madrid, livros e vinis em Bajo el Volcán, e um pouco de flamenco em Candela. E, é claro, Guernica (aos domingos e no final do dia, o museu Reina Sofía tem entrada franca). Para os amantes da sétima arte, a dica é procurar pelo Cine Dore (sede da Filmoteca nacional), e sempre com ótimos espetáculos, o Teatro del Barrio.

San Bernardo
Entre Malasaña e Princesa. A Taberna del Limón, sem dúvidas. Em frente ao Cuartel de Conde Duque e seu pouco conhecido Museo de Arte Moderno (que vale muito a pena). Comer  na La Chalana, recomendamos seu menu (mesas somente antes das 13h30) e a cidra asturiana.

Chamberí
Bairro de classe e clássico. Um passeio pela rua Ponzano, onde os bares disputam a atenção por sua originalidade e sabor, deixando malucos aqueles que provam de suas delícias em poucos instantes. A dica aqui é a Sala de Despiece, que domina em todos os momentos.

La Latina

Aos domingos, vá ao El Rastro (mercado de rua centenário), programa típico tanto quanto seus bares – na praça de Cascorro, Los Caracoles. A Almendro 13, taberna centenária, não tem igual. O que vier depois cairá a seus pés. Outros lugares que valem a visita incluem Sala Galileo, Clamores, El Templo del Gato, e o novo centro cultural Matadero.


Estas foram apenas algumas pinceladas, muito pessoais, para conhecer uma Madri diferente, íntima e fora do lugar comum. Há muito a descobrir e a cidade talvez seja uma das melhores para aquele viajante curioso, que não possui mapas. Para os desavisados, lembrem que o verão é infernal e o inverno é gelado. A primavera é perfeita para passear por seus inúmeros parques (especialmente o El Retiro – palco para a impressionante Feira do Livro em maio), e o outono, revestido de cores cinzentas e marrons, é imperdível para os nostálgicos.



 
Rafael Paniagua



Sobre o Bella Politica de Privacidade Política de Cancelamento Programa afiliados Área do parceiro Publicidade Imprensa Contato RSS