As montanhas de Rajastão
créditos: Maps of India

As montanhas de Rajastão

*Por A. Hidalgo, jornalista espanhol especializado em viagens pela Ásia.
 

Há alguns anos decidimos fazer uma viagem por Rajastão, região do norte da Índia e terra de Marajás, antigos senhores feudais da Índia, que dominavam grandes extensões de terra e representavam a mais alta aristocracia, com muito poder, e sempre muito respeitados por seu povo. Na atualidade, desfrutam de certo status social, propriedades, e continuam respeitados pela população.
 
Queríamos começar nossa aventura em Jaipur, capital do estado de Rajastão. Quando estávamos tentando reservar um hotel, não conseguíamos encontrar vagas em lugar nenhum da Cidade Rosa, como Jaipur também é chamada, devido à cor de suas construções.
 
O motivo era a celebração de uma feira internacional, que reunia empresários de toda a Índia. Tentamos entrar em contato com a central de hotéis TAJ, cadeia pertencente à multinacional todo-poderosa TATA. Depois de diversas tentativas, uma funcionária da empresa nos sugeriu: ´mesmo que todas as nossas habitações estejam lotadas nesta área, a TAJ acaba de adquirir uma antiga residência de Marajás, a uns 30 km de Jaipur´. Eis que encontramos o local, acessado por um caminho florestal, com o custo total, com café da manhã, por cerca de € 80.
 
A viagem, partindo de Déhli, é melhor quando iniciada pela manhã – ainda mais nos meses de calor (praticamente o ano inteiro). No trajeto, é possível fazer uma parada na metade do caminho, no forte Neemrana, fortaleza Hindu do século XV, situada  na encosta de uma montanha, há cerca de duas horas de Délhi. O forte conta com hotel, piscina, spa, e diversos quartos, torres e corredores para se visitar. Foi restaurado nos anos 90 e mantém as diretrizes arquitetônicas originais da arquitetura Hindu antes da invasão Mughol, dinastia que governou o Norte da Índia a partir do século XVI, resultante da fusão entre mongóis e persas.
 
Após mais duas horas de estrada, chegamos a Jaipur e nos dirigimos ao Ramgarh Lodge. Depois de meia hora de estrada moderadamente aceitável, é preciso desviar ao caminho da montanha. A vegetação é muito variada e quase não há movimentação por aqui. O sol há tempos nos abandonou. Ao final do caminho, encontramos algumas ruínas do que nos pareceu um antigo povoado (resquícios de construções de pedras e algumas torres). Um grupo de macacos cruza nosso caminho. Seguimos mais um pouco, e por fim chegamos a uma praça com uma fonte. Ali estava a fachada no estilo colonial do Ramgarh Lodge. Chegamos!
 
Tudo era silêncio quando o homem que veio nos atender sai com um pagri em sua cabeça (turbante típico de Rajhastan). Nos cumprimenta juntando as mãos e inclinando-se em nossa direção. Éramos os únicos hóspedes. O que vimos primeiro foi um hall enorme com diversos salões em um espaço que permitia o acesso a diversos quartos. As paredes eram decoradas por cabeças de rinocerontes, búfalos, tigres, antílopes e outros diversos tipos de mamíferos.
 
Ao passarmos por uma das portas, nos deparamos com o bar, acolhedor e colonial, com barra de madeira maciça em semicírculo e uma mesa de sinuca. Mais tarde, visitamos os quartos e o senhor que nos atendeu nos disse que poderíamos escolher o que quiséssemos.
 
Para a ceia, prepararam um cabrito guisado bem temperado e acompanhado com um pão índio delicioso, feito no tandoor (forno de barro, à lenha). Para sobremesa e também para auxiliar na digestão, provamos o chae o massala tea (chá local com gengibre, canela e leite de búfala). Na manhã seguinte, e após termos descansado por nove horas seguidas, optamos por tomar o café da manhã no jardim, com piscina e uma vista maravilhosa.
 
Visitamos o hotel novamente algum tempo mais tarde, e percebemos que o mesmo passou por algumas reformas e restaurações, portanto sem perder o encanto e o sabor que continua transmitindo com a história dos antigo Marajás da Índia.




Rafael Paniagua



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