As mais remotas ilhas habitadas
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As mais remotas ilhas habitadas

Antes só do que mal acompanhado. Isso é o que devem pensar os habitantes das ilhas mais remotas do mundo. Espalhadas pelos sete mares, faremos agora uma lista das ilhas mais reservadas do planeta. Quem sabe, depois de visitá-las, você não queira mais voltar à realidade...

Estas são as ilhas habitadas mais remotas que existem, locais cujas chegadas (ou saídas) demandam planejamento mais apurado – e talvez algumas pessoas queiram pensar duas vezes antes de arrumar as malas.

Tristan da Cunha (Reino Unido): ostenta a honra de ser o lugar habitado mais distante de qualquer outro lugar habitado do planeta. Esta ilha vulcânica pertence ao Reino Unido e, com apenas 300 habitantes, emerge em pleno Oceano Atlântico, a 2.810 km ao Sul da Cidade do Cabo e a 2.334 km de distância da ilha de Santa Helena, também britânica. O penhasco é tão abrupto que não se encontrou uma forma de construir um aeroporto por lá. A única via de comunicação de Tristan da Cunha com o restante do mundo são dois barcos de uma companhia de pesca, o MV Edinburgh e o MV Baltic, que a cada dois meses fazem a travessia partindo da Cidade do Cabo. A viagem dura em torno de seis dias – isso se o mar for bonzinho. Cada barco possui capacidade máxima para 12 passageiros. Os que não são residentes da ilha precisam, no entanto, solicitar autorizações prévia para a estadia no arquipélago.

Ilha Kanton (Kiribati): fica a 1.760 km de distância da capital da república, o lugar mais habitado nas redondezas. O curioso é que possui uma pista aérea de 1.900 metros de longitude, construída pelos norte-americanos durante a II Guerra Mundial – porém abandonada na década de 70.

Ilha Sentinel Norte (Índia): esta ilha do mar de Andamán, ao leste do golfo de Bengala (Oceano Índico) não é inacessível por sua distância. De fato, está há poucas milhas da grande ilha de Andamán. É por outro motivo que o acesso é remoto: seus habitantes foram aborígenes que até hoje não permitem que nada, nem ninguém, desembarque em sua costa. Qualquer tentativa de desembarque no local é sinônimo de uma chuva de flechas e ferocidade extrema. Nada se sabe sobre eles: nem quantos são, nem a que grupo étnico podem pertencer, muito menos o idioma que falam ou sua cultura. Ainda vivem no Paleolítico. A ilha possui 72 km quadrados, está coberta de floresta e rodeada por um recife que torna impossível a aproximação da costa durante 10 meses por ano.

Kapingamarangi (Federação de Micronésia): são necessários 11 dias de navegação em um pequeno veleiro de 45 pés para chegar a este remoto ponto no Pacífico. Kapingamarangi é uma ilha de corais com apenas um quilômetro quadrado de superfície habitável, onde vivem 350 pessoas isoladas do restante do mundo. São autossuficientes: têm água potável, peixes, cocos, bananas, cerdos, galinhas... a única forma de chegar à ilha é através do aluguel de um barco, ou esperando pelo cargueiro do governo micronésio que visita o local três vezes por ano para levar mantimentos, combustível e diversos bens. O barco também traz de volta os alunos de bacharelado para as férias, que precisam ir à capital do Estado, Pohnpei, para estudar, a 750 km de distância.

Pitcairn (Território Britânico de Ultramar): quando, em 1789, Fletcher Christian e outros 11 marinheiros se amotinaram no HMS Bounty, protagonizando a rebelião a bordo mais famosa da história, eles abandonaram o capitão Bligh e seus fieis em uma barcaça, tentando encontrar uma ilha perdida no Pacífico, onde ninguém os encontraria. Esta ilha passou a ser Pitcairn, um antigo vulcão que emerge em uma esquina da Polinésia. Sair ou chegar à Pitcairn é uma aventura. Não existe aeroporto e a única comunicação com o restante do mundo é um navio cargueiro que chega várias vezes ao ano, partindo de Mangareva, nas ilhas Gambier (Polinésia Francesa), ou a bordo de alguns cruzeiros de luxo que passam por ali.

Ilhas de Hornos (Chile): o Cabo de Hornos, no final do continente americano pelo Sul, não está no continente, mas em uma ilha. Uma ilha remota, rodeada por um mar enfurecido, onde parece estar situada a fábrica mundial do vento. Antes era um destacamento de três militares chilenos que tomavam conta das instalações e davam soberania a este ponto mítico da navegação mundial. Atualmente, quem se encarrega do farol e da estação meteorológica é um militar, que precisa residir na ilha durante um ano com sua família. Mesmo parecendo mentira, há mais de 500 solicitações a cada nova abertura de vaga para o posto. À ilha de Hornos somente se pode chegar em barco privado, ou em um dos cruzeiros que fazem o percurso dos canais patagônicos entre Punta Arenas (Chile) e Ushuaia (Argentina).

Ilhas Tokelau (Nova Zelândia): neste arquipélago formado por três atóis de corais que, juntos, somam 10 quilômetros quadrados de terra emergida, vivem quase 1500 pessoas. Porém não há aeroporto, nem linha marítima que faz ligação à Nova Zelândia – país do qual dependem. A única conexão com o mundo é o cargueiro que chega algumas vezes por ano. Ainda assim eles conseguiram se tornar o primeiro território do mundo que obtém 100% de sua energia de fontes renováveis. Os 4.032 painéis fotovoltaicos e 1.334 baterias são responsáveis pelo milagre.

Ilhas Agalega (República de Maurício, África): são pequenas ilhas espalhadas pelo Oceano Índico, a 1.100 km das ilhas Maurício. Mesmo com uma pequena pista de aterrissagem na ilha do Norte, não existem voos comerciais. A única forma de chegada é por barco – dois dias e meio de viagem partindo de Port-Louis, a capital de Maurício. A população atual não passa de 300 habitantes.

Palmerston (Ilhas Cook): o Pacífico está repleto de ilhas remotas e de difícil acesso. Uma delas é a Palmerston, uma das ilhas do arquipélago Cook. Fica a 500 km da ilha habitada mais próxima e somente recebe a visita de um navio cargueiro com mantimentos duas vezes ao ano. O curioso sobre Palmerston é que 60 dos 62 habitantes são descendentes do mesmo homem: William Masters. Este carpinteiro britânico se estabeleceu na ilha em 1863 para cultivar cocos e processar seu azeite. A cada seis meses passava um barco para recolher a mercadoria. Masters ficou com três mulheres polinésias com as quais teve 23 filhos. Eles herdaram a ilha.

Ilha de Hopen (Noruega): as ilhas Svalbard são o território permanentemente habitado mais próximo ao Polo Norte. Apenas 900 km separam o trecho de globo terráqueo deste curioso arquipélago norueguês coberto em boa parte por gelo, e onde há mais ursos polares do que pessoas. A maioria da população vive na ilha grande, Spitzbergen - exceto quando cientistas passam o ano cuidando da estação meteorológica da ilha de Hopen, a mais isolada de todo o arquipélago. Um pedaço de terra de 33 km de comprimento por dois de largura onde há apenas gelo, rochas e aves marinhas.

Para os mais aventureiros ou, quem sabe, para os que buscam um refúgio exótico que fique afastado dos ruídos e da terrível civilização, essas ilhas podem ser o destino ideal... e talvez o último.  

 

Rafael Paniagua



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