Boxe
Talvez na cabeça de quase todas as pessoas venha a imagem de um saco de
boxe quando falamos em aliviar o estresse socando alguma coisa. Parece
fácil, mas para lutar boxe, além de muita coordenação, é preciso um
grande preparo físico. Pular corda, saber posicionar-se dentro do
ringue e esperar a hora certa de atacar, não é tão simples assim. Se
você está interessado em queimar bastante gordura corporal e ainda
assim saber bons golpes para se defender, procure uma academia ou
ginásio de boxe, um esporte que está cada vez mais conhecido e
praticado até entre as mulheres!
A história
O boxe, conhecido como pugilismo, já aparecia em Creta em 1500
a.C., além de ser praticado na Grécia e em Roma como esporte olímpico a
partir de 688 a.C. A palavra pugilismo vem do latim pugil “lutador com
Cestus”, que significa conjunto de correias de couro e placas de ferro
e chumbo que equipavam os punhos dos lutadores romanos na Grécia
antiga. Também é conhecida como pugillus que indica o "punho fechado em
forma de soco". Do inglês “to box”, que significa bater com os punhos,
veio a palavra boxe que aparece na Inglaterra no século XVII, onde
lutas eram praticadas sem as luvas e golpes de luta-livre derrubavam o
adversário. Nos Estados Unidos o boxe se difundiu entre 1850 e 1920,
sendo popular a partir desta data em outros países.
Desde os primórdios o uso dos punhos como arma em brigas é
conhecido. Através de documentos antigos, encontrados na Suméria
(civilização que se desenvolveu na região do atual Iraque) e Egito,
pode-se saber que a prática do pugilismo é tida como esporte desde
entre 4000 a 5000 anos. Existiram muitos estilos de pugilismo: o dos
sumérios e babilônios, o egípcio, o minóico, o grego, o etrusco, o
romano, o francês, o chinês e vários tipos de boxe indiano: o boxe
muki, o malla-yudha. O estilo mais utilizado , principalmente, no
Brasil é o inglês. Alguns especialistas mais radicais interpretam a
palavra boxe apenas quando se referem ao boxe inglês praticado a partir
das Regras de Broughton ,criadas em 1743, e usam a palavra pugilismo
para denotar qualquer "boxe" anterior a esse período.
Os nobres da Idade Média e da Renascença praticavam muitos
esportes, mas o boxe não estava entre eles, pois seus esportes sempre
imitavam, de alguma maneira, as técnicas de guerra e de caça com o
objetivo de fazer os membros da nobreza ficassem "mais fortes e
valentes". O aristocrata deveria ser esgrimista, cavalheiro e arqueiro,
e ainda assim saber nadar, caçar, pular, correr e até atirar pedras. A
luta a base de socos era considerado coisa de gente "inferior", da
classe trabalhadora, recurso de quem não tinha dinheiro para ter armas
de guerra e muito menos para pagar professores que ensinassem seu
manejo. Nesta época, por eventualidade de um nobre se envolver em
alguma briga, essa seria então resolvida na base da espada,
provavelmente num duelo formal. Enquanto que o membro da classe
trabalhadora partiria para uma luta com facas ou uma improvisada troca
de socos, tudo sem nenhuma técnica.
Geoffrey of Monmouth, em seu livro História dos Reis Britânicos,
escrito cerca de 1150 d.C, conta que naquela época o rei Arthur
organizou uma festa para celebrar sua conquista de territórios na
França. Essa festa iniciou com um banquete e terminou com várias
competições entre os nobres da corte: desde uma simulação de batalha a
vários tipos de jogos de luta homem contra homem, entre os quais ele
menciona evidentemente lutas com punhos. É seguro afirmar que tais
lutas eram meras brincadeiras dos membros da nobreza e consistiam em
improvisações ou imitações grosseiras, sem nenhuma técnica, do que os
europeus haviam ouvido falar sobre o boxe grego e o boxe romano.
Jack Broughton (1704-1789) foi o primeiro campeão do Boxe
sistematizado na Inglaterra. Ele utilizava técnicas menos rudes que
outros adversários, enfatizando a luta no jogo de punhos e pernas. O
estilo de Jack Bourghton deu origem a novas regras que sobreviveram até
1838, com a chegada do novo código de Londres. Outro grande lutador foi
John Jackson conhecido no século XVIII como "Gentleman Jackson"
conquistando o título inglês por derrotar Daniel Mendonza e foi o
primeiro lutador a usar tecnicamente o jogo de pernas e de corpo. John
fundou uma academia de Boxe em Londres, introduzindo as luvas
acolchoadas e atraiu para sua escola nobres rapazes da elite social
inglesa. John instituiu regras, chamadas de Marques de Queensberry, que
regem o esporte até os dias de hoje, valorizando a arte e a destreza
dos lutadores.
Os primeiros torneios em que os lutadores foram pesados e divididos
por categorias foi em 1872. O último combate sem luvas foi disputado
entre os americanos John L. Sullivan e Jake Kilrain, em 8 de julho de
1889, com 75 rounds e duração de 2 horas, 16 min e 23 segundos.
Sullivan foi o vencedor. Além disso, não havia tempo pré-estabelecido
para os combates e as lutas só acabavam com a desistência de um dos
competidores. Mesmo depois que o adversário caísse, ainda poderia ser
atacado.
O ringue com isolamento de cordas dispostas em três alturas
apareceu no começo do século XX. O dentista inglês Jack Marks inventou
o protetor de dentes que até hoje é utilizado nas competições. Em 1884,
a fim de controlar e organizar o Boxe na Grã-bretanha fundou-se a
Associação Britânica do Boxe amador e também nos Estados Unidos, em
1888 a União Atlética dos Amadores.
O boxe foi incluído como demonstração na Olimpíada de 1912 em
Estocolmo, só se tornando um desporto olímpico moderno na Olimpíada de
1920, na Antuérpia.
O esporte
As regras atuais foram criadas baseadas na esgrima, como por
exemplo, o uso das luvas. O boxe também é considerado uma arte marcial
e é uma luta de defesa e ataque. Atualmente o boxe está nas Olimpíadas
e jogos Pan-Americanos.
No boxe profissional, são 10 a 12 rounds e não pode ser usado o
protetor de cabeça. Os pontos são conquistados pelo boxeador acertando
o torso corporal do seu rival e a lateral da cabeça, golpes nos braços
não são válidos como pontos.
Outra maneira de vencer é nocauteando o adversário, que ocorre
quando este é golpeado e cai na lona com qualquer parte do corpo, com
exceção dos pés. Se o adversário segurar as cordas para não cair na
lona, ou cair fora do ringue, deve ser feita a contagem de 10 segundos,
caso não levante, será considerado derrotado. Mesmo se o lutador ficar
em pé, o árbitro pode optar telo fim da luta caso ele perceba que o
lutador não esteja mais em condições de lutar. O árbitro também pode
declarar o fim da luta caso ele perceba que um dos lutadores esteja
sendo muito espancado. A própria comissão técnica de um lutador pode
jogar a toalha dentro do ringue, o que significa desistência.
Cinco árbitros compõem uma luta e apenas um fica dentro da lona.
Faltas são muito comuns, como agarramentos, golpes abaixo da cintura,
socos na nuca, socos de mão aberta e postura passiva. Uma advertência é
feita por dois avisos e tendo três advertências o lutador é
desqualificado. Também não é permitido golpear o lutador que estiver no
chão; quando um dos lutadores for ao chão, a luta deve ser parada.
O boxe no Brasil
O Boxe veio para o Brasil junto com os imigrantes alemães e
Italianos e há rumores oficiais de lutas no final do século XIX e
início do século XX, mas a luta era sempre associada aos capoeiristas
ou à marginalidade. Esse preconceito era especialmente forte entre os
membros da elite dirigente do país, na época. E as primeiras exibições
de Boxe foram feitas por marinheiros europeus que tinham aportado em
Santos e no Rio de Janeiro. Naquela época, os marinheiros eram
recrutados das classes mais humildes.
Em 1919, Goes Neto, um marinheiro carioca que havia feito várias
viagens à Europa, onde havia aprendido a boxear, iniciou realmente o
boxe no Brasil, fazendo várias exibições no Rio de Janeiro. Rodrigues
Alves, um sobrinho do Presidente da República, se apaixonou pelo boxe.
O apoio de Rodrigues Alves facilitou a difusão da luta: começaram a
surgir academias e logo esse esporte ganhou a áurea da "legalidade", de
esporte regulamentado, com a criação das "comissões municipais de boxe"
em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Isso tudo, entre 1920 e 1921. Os
primeiros treinadores competentes apareceram no início da década de 20.
Os primeiros treinadores importantes do Brasil foram os irmãos Jofre,
Atílio Lofredo, Chico Sangiovani. Em 1923, no Rio de Janeiro, foi
criada a primeira academia de boxe do Brasil: Brasil Boxing Club, que
muito difundiu o boxe entre os cariocas. A Revolução de 32 paralisou
tudo, causando um grande impasse. Depois muitos vieram, como Éder
Jofre.
Maguila estreou como profissional em 1983. Em 1986, já no auge da
fama, passou a treinar com Miguel de Oliveira que alterou profundamente
seu estilo de luta e corrigiu seus defeitos de defesa. Como
conseqüência, em 1989, chegou a ser o segundo colocado no ranking do
CMB e em rota de colisão com Mike Tyson, na época, o campeão imbatível
do mundo.
Maguila enfrentou dois dos maiores pesos pesados do século XX:
Evander Holyfield e George Foreman. Perdeu essas duas lutas e isso lhe
tirou não só a chance de disputar o título como o encaminhou para a
obscuridade. Para piorar, Maguila aumentou muito de peso, perdendo a
forma física. Apesar disso, em 1995, chegou a campeão mundial pela WBF
(Federação Mundial de Boxe ), uma associação que ainda não havia
conseguido grande respeitabilidade. Com falta de patrocínio, pouco
tempo depois, Maguila foi destituído do título por inatividade. Com o
ocaso de Maguila, também veio o do boxe brasileiro que rapidamente
perdeu o enorme espaço que havia tido na televisão.
Acelino de Freitas, o Popó, surgiu no final dos anos 90 como uma
promessa. Foi patrocinado pela Rede Globo de televisão, chegando ao
título de campeão mundial pelo WBO.
Categorias Para Disputas
Mosca Leve - Até 40 Kg
Mosca - Até 51 Kg
Supermosca - Até 53 Kg
Pena - Até 54 Kg
Super Galo ou Pena Ligeiro - Até 59 Kg
Leve - Até 62 kg
Superleve ou Meio Médio Ligeiro - Até 64 kg
Meio Médio Até 67 kg
Super Meio Médio ou Médio Ligeiro - Até 70 kg
Médio - Até 73 kg
Meio Pesado - Até 80 kg
Cruzador - Até 86 kg
Pesado - Acima de 86 kg
O treino de boxe
O boxe exige muita disciplina e tática. Muita movimentação, reação,
defesa, esquiva e ataque. O lutador deve priorizar tanto a defesa
quanto o ataque. Defender-se demais é fugir da luta e atacar
excessivamente, sem se resguardar, pode levar à lona.
É um esporte de peso, altura e alcance, mas não depende só de
genética. É possível desenvolver grandes habilidades e tornar-se um
grande boxeador.
O trabalho cardiovascular é muito importante para estar mais bem
preparado que o adversário. Isso será um fator essencial para vencer a
luta: preparação para agüentar o ritmo. Pular cordas e treinar socos
segurando pesos, ou simplesmente socar um saco de areia melhora não só
o rendimento físico, como ajuda a dar ritmo ao lutador de boxe.
Pular corda serve para aperfeiçoar os trabalhos de pé e fortalecer
os ombros. Já o saco de pancadas permite treinar a força dos socos,
assim como melhorar a técnica. É bom para treinar combinações de socos.
Sentiu vontade de aliviar o estresse com o boxe? Então procure um
bom treinador para começar a dar seus primeiros golpes. Agilidade,
flexibilidade e reflexo também ajudam. Junte tudo e comece logo!
Fontes:
http://www.boxergs.com.br/histori4.htm
http://www.colegioweb.com.br/curiosidades
http://www.cdof.com.br/boxe.htm
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