No escurinho do cinema
Aconteceu o que eu temia. Deixar rolar com amigo normalmente não é a
melhor das idéias. Deixar rolar com amigo em clube S&M, ao som de
chibatadas é uma péssima idéia. Bem, dependendo do amigo pode ser uma
ótima idéia no durante. Mas o depois pode ser extremamente confuso.
As coisas entre o Rada e eu depois do meu aniversário ficaram muito
estranhas. Ele me ligava todo dia, eu ligava pra ele. A gente se
divertia, dava risada, saía pra comer... Mas agora a gente sempre
lavava junto a nossa amiga: a enorme tensão sexual. Eu a princípio
pensei: Bônus! Amizade sexo fantástico só pode ser um grande sucesso!
Até que eu voltei do Planeta Poliana e me dei conta: amizade combinada
com sexo fantástico = relacionamento. Entre os humanos, muito
comumente, relacionamento = monogamia presumida! Ahhhhhhhh!
Já ouvi muita gente me dizer que eu tenho problemas porque não consigo
ser monogâmica. Mas eu discordo veementemente. A natureza humana não é
monogâmica. Portanto, eu estou apenas seguindo a natureza, meus
instintos mais básicos.
Tenho que cortar essa coisa com o Rada pela raiz então. Mas não posso
simplesmente sumir, o Rada é meu amigo. Vou ter que conversar a
respeito. Detalhe: a única coisa pior do que um relacionamento – pra
mim – é falar sobre um relacionamento ou, neste caso, sobre um não
relacionamento. Preciso de um drink!
Não, Stephany, não! Nada de drink. Tem que ser sóbria. Ok, vou marcar um cinema inocente. Segunda, 10 da noite.
Ele entrou no meu carro e o cheiro da pele dele fez a minha arrepiar.
Me senti derreter entre as pernas. Chega, Stephany, chega! Limite!!
Sentamos os dois bem lá atrás, cada um com suas pipocas e jujubas,
respectivamente. Pensei que enquanto rolasse o filme eu ia tomando
coragem pro assunto doloroso de depois. Então olhei pra ele. Comendo
pipoca, olhando pro filme, tão xuxu... será que é possível?? Não, não
pode ser? Mas parece... não gosto nem de pronunciar... será? Poderia eu
estar me apaixonando por essa criatura? Não! Volto pro filme.
Ele então põe a mão na minha perna. Eu olho pra ele. Ele ri e me tasca
um beijão de tirar o fôlego. Tem pouca gente no cinema. Todo mundo mais
pra frente. A mão dele sobe um pouquinho. A minha mão vai sozinha (juro
que eu não mandei ela fazer isso) pra coxa dele. A pipoca dele cai no
chão enquanto a outra mão me pega pelo pescoço e depois escorrega suave
pelo meu colo e sem eu nem perceber me abre os botões da camisa.
Dedinhos hábeis da mão direita brincam com os bicos rijos dos meus
seios enquanto que os dedinhos hábeis da mão esquerda levantam a minha
saia.
Não consigo me conter. Me ajoelho na frente dele, abro o zíper da calça
e caio de boca. Sem dó nem piedade. O gosto dele é delicioso e ele
pulsa desesperado todinho dentro da minha boca. Quando penso que ele
não vai agüentar, ele me surpreende.
Mãozona levanta os descansos de braço e me coloca deitada nas cadeiras
do cinema, com as pernas enroscadas no pescoço dele. A língua do Rada é
macia, mas é firme, precisa. As explosões e a música alta do filme
abafam os meus gritinhos. Ele me beija, me lambe, me morde e, ainda de
olhos fechados, percebo todo o peso dele em cima de mim. Minhas pernas
ainda estão ao redor do pescoço dele. Sinto cada pedacinho dele me
invadindo aos poucos. Os lábios macios me sugam o pescoço enquanto ele
abre caminho entre as minhas pernas. Não abro os olhos e deixo os
movimentos seguirem a música do filme.
Saímos do cinema dando risada e sem a menor noção do que aconteceu no filme.
Não tenho bem certeza do que eu queria conversar com ele...
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